» Vivendo, surfando, e aprendendo…

Vejo pelo relatório do sistema do blog, que várias visitas ao Surf4ever ultimamente têm sido geradas por buscas relacionadas ao período da Pesca da Tainha em Florianópolis.

Vivendo, surfando, e aprendendo…No dia 1º de maio (pela lei municipal, o dia oficial do início) foi postado aqui “Tainha na área…”, apenas com o texto da norma legal vigente sobre o tema. Eu e mais duas outras pessoas deixamos nossas opiniões, comentando o assunto.

Pelas ondas que tive a oportunidade de surfar no final-de-semana de 12 e 13 de maio no Norte da Ilha, e por saber que neste mesmo final-de-semana, na mesma praia surfada, aconteceu pelo menos um lanço de mais de 2.500 peixes, resolvi deixar mais uma opinião.

Nós, surfistas que já passamos dos 30 anos e que temos nossas responsabilidades na vida, temos que RESPEITAR os pescadores e a Pesca da Tainha na cidade. A data de início é no começo do mês, mas acabamos ganhando todos os anos essas duas semanas (que poderiam servir para a PMF organizar a fixação das placas e disponibilização das bandeiras, o que não ocorre em todos os locais). Além de RESPEITARMOS, temos que influenciar os mais jovens, os não-locais dos picos onde há pesca, e também os surfistas que não conhecem a história da cidade (número que tem aumentado vertiginosamente) para que também a RESPEITEM.

Vivendo, surfando, e aprendendo…Sabemos que se a condição estiver acima de 1,5 m (quando o crowd começa a sumir), conseqüentemente nos será dada a permissão para surfar. Menor que isso, talvez haja possibilidade de um molho no fim-de-tarde, quando as baleeiras não adentrarem mais ao mar. Durante o dia, se a fissura bater, há as praias que estão liberadas (que certamente estarão com muito crowd para quem não sair da água até as 7:30 da manhã).

É triste saber que na maioria das vezes nesse período não poderemos pegar aquele 1 metrinho “mousselon” na melhor hora da maré, mas temos que nos conformar. Se há o tempo livre, porque não dar uma corrida na praia? Porque não fazer alongamento, nadar, ou se exercitar para que quando haja ondas maiores (aquelas mesmas de quando o crowd começa a sumir) nossa remada e nosso gás estejam melhores? Em abril, no blog Alohapaziada, li o artigo “Surfando para sempre…”, de Tito Rosemberg, do qual transcrevo essa parte:

(…) “Se o amor pelo surf torna-se a única razão para viver, corremos o risco de não deixarmos abertas as ‘portas da percepção’, e com elas fechadas paramos de aprender. E se não aprendemos mais nada, estagnamos, nosso espírito morre, mesmo se nossos corpos continuam aí, dirigindo carros ou empresas, como se estivéssemos vivos.” (…)

Vivendo, surfando, e aprendendo…Nós, surfistas inteligentes e que respeitamos as tradições da cidade onde vivemos, não podemos fechar nossas “portas da percepção”. Não adianta “tacar o pau” na pesca e depois reunir a rassa pra uma Tainhada na brasa. Isso vale para todas as cidades onde há pesca da Tainha (Mugil Brasiliensis) e Surf.

Um pouco de humildade não nos fará mal. Viver a experiência de ajudar a puxar uma rede, pelo menos uma vez na vida, não fará mal a nenhum surfista. O máximo que vai acontecer é ganhar um peixe, que pode ser aquele da Tainhada da rassa. Aí podemos contar, de verdade, para quem não sabe, como é que se mata aquele peixe que está ali, saboroso, em nossa mesa.

Vivendo, surfando, e aprendendo…Em pouco mais de 20 anos de Surf na vida até agora, já tive que correr de grupos de pescadores, já xinguei, fui xingado, já presenciei e ouvi falar bastante coisa, assim como já ocorreu com a maioria. Ao escrever esse texto, fico feliz de ter “percebido” que não parei de aprender.

Por: Gustavo Otto

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Extras (para quem quiser aprender um pouco mais):
>
Cultura Açoriana Catarinense
> Projeto ACQUA FORUM
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2 Responses to “» Vivendo, surfando, e aprendendo…”


  1. 1 Maurio Borges maio 15 2007 às 1:04 pm

    Gustavo, fosse novamente perfeito nos teus comentários sobre a pesca da Tainha. Agora o momento é de esperar. A vida segue…

  2. 2 Bruneras maio 23 2007 às 3:36 pm

    É isso mesmo irmão,

    Nós que moramos na praia, lado a lado com os pescadores, que temos um vínculo com a comunidade e o local onde moramos, sabemos que para alguns essa tradição é a única forma de sustento, ou senão um bom incremento em suas rendas.

    É uma profissão, esteja em alta ou em baixa, deve ser respeitada!

    Abrazzos


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