Conheci o Marino no Chile, numa trip que fiz no final de 2007. O cara chegou na pousada e bateu na porta do meu quarto, pensando que fosse a recepção:
- La recepción, por favor?
- Abajo – respondi apontando para a recepção que era do outro lado da rua, meio brabo e sonolento, pois ele tinha me acordado do descanso pós surf matinal e almoço.
Fechei a porta e fiquei pensando no sotaque do “la recepción” dele, e me dei conta de que era de brasileiro. Fui lá e o vi perdidão na frente da pousada:
- Tu és brasileiro, não és, cara?
- Claro! Sou do Guarujá - respondeu ele.
Dei uma força pra ele com as paradas e notei que ele não tinha prancha. Perguntei se surfava, ele disse que sim, mas que não tinha trazido prancha nem equipamento e ia comprar tudo lá em Pichilemu mesmo. Fiquei imaginando: “esse cara nem deve saber surfar direito… onde é que já se viu vir pra trip do surf e não trazer equipamento algum?”
Depois ele me explicou todo o motivo de não ter trazido equipamento e logo no primeiro surf juntos, vi que o cara quebra a vala, pega altas, e o que me surpreendeu mais ainda foi que ele já tinha 41 anos.
Convivemos apenas umas duas semanas lá no Chile, várias sessões juntos em Punta de Lobos e La Puntilla, e nesse pouco tempo pude notar o quão sangue bom é o cara. Hoje, com 43, Marino continua firme, mantendo o freesurf dele, monitorando swells e metendo as trips “bate-volta” dele.
Presto essa homenagem mostrando aqui no blog essa boa sequência dele em um pico no Peru numa trip recente, pelo exemplo que ele é para os cidadãos comuns que amam surfar e querem continuar surfando e se mantendo bem fisicamente para poder fazer isso depois dos 30, 40, 50, 60, 70 e assim vai…
por Gustavo Otto
________________________________________________Surf4ever

























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